Reforma Tributária: o que muda para as empresas e por que sua empresa precisa se preparar
JBB Contabilidade · 15 de setembro de 2026
A Reforma Tributária do Consumo já está em fase de implementação no Brasil e representa uma das maiores mudanças no sistema tributário das últimas décadas.
As alterações não acontecem de uma única vez. A transição será gradual e exigirá das empresas atenção à emissão de notas fiscais, formação de preços, créditos tributários, escolha do regime de tributação e planejamento financeiro.
Por isso, mesmo que a sua empresa ainda não tenha sentido grandes mudanças no dia a dia, este é o momento de começar a se preparar.
# O que é a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária tem como um dos principais objetivos simplificar a tributação sobre o consumo no Brasil.
O novo modelo substituirá gradualmente alguns dos principais tributos atuais:
* PIS e Cofins serão substituídos pela CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços;
* ICMS e ISS serão substituídos gradualmente pelo IBS – Imposto sobre Bens e Serviços;
* O IPI terá suas alíquotas reduzidas para a maioria dos produtos, com tratamento específico para a Zona Franca de Manaus;
* Também foi criado o Imposto Seletivo (IS), destinado a determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A implementação está prevista em etapas, com conclusão do novo modelo em 2033.
IBS e CBS: os novos protagonistas da tributação
Dois tributos merecem atenção especial durante a transição:
CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços
A CBS será um tributo de competência federal e substituirá gradualmente o PIS e a Cofins.
IBS – Imposto sobre Bens e Serviços
O IBS será de competência compartilhada entre estados e municípios e substituirá gradualmente o ICMS e o ISS.
A ideia é adotar um modelo baseado no IVA – Imposto sobre Valor Agregado, com maior destaque para a não cumulatividade e para o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia econômica.
Como será a transição?
A Reforma Tributária não elimina imediatamente os tributos atuais.
O processo ocorrerá gradualmente.
- : ano de preparação e teste
- marca uma etapa importante de adaptação ao novo sistema.
As empresas precisam estar atentas às mudanças nos documentos fiscais e às informações relacionadas ao IBS e à CBS. A Receita Federal estabeleceu orientações específicas para a implementação das novas regras.
Esse período deve ser aproveitado pelas empresas para:
* Atualizar sistemas;
* Adequar a emissão de notas fiscais;
* Revisar cadastros de produtos e serviços;
* Avaliar contratos;
* Revisar preços;
* Treinar equipes;
* Conversar com a contabilidade.
- e 2028: avanço da CBS
A partir de 2027, a CBS ganha espaço no novo sistema, enquanto ocorre a redução dos tributos que serão substituídos.
Também está prevista a instituição do Imposto Seletivo e a redução das alíquotas do IPI para a maioria dos produtos.
- a 2032: substituição gradual do ICMS e ISS
Nesse período ocorrerá a transição progressiva do ICMS e do ISS para o IBS.
A substituição será feita gradualmente, permitindo que empresas e governos se adaptem ao novo modelo.
- : novo modelo em vigor
Em 2033, está prevista a conclusão da transição, com a extinção do ICMS e do ISS e a consolidação do novo sistema de tributação sobre o consumo.
E o Simples Nacional?
Um dos pontos que mais gera dúvidas entre os empresários é se a Reforma Tributária vai acabar com o Simples Nacional.
Não.
O Simples Nacional continua existindo, mas suas regras estão sendo adaptadas para incorporar o IBS e a CBS.
Em agosto de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional atualizou a regulamentação para adequar o regime à Reforma Tributária.
Uma mudança importante é que as empresas do Simples Nacional poderão, em determinadas situações, permanecer no regime e optar por recolher IBS e CBS pelo regime regular, fora do DAS.
Essa possibilidade exige uma análise cuidadosa, principalmente considerando o perfil dos clientes e o aproveitamento de créditos tributários.
Por que a Reforma Tributária pode afetar o preço dos produtos e serviços?
A tributação influencia diretamente a formação do preço.
Com a mudança no sistema de créditos e na forma de cobrança dos tributos, algumas empresas poderão ter impactos diferentes dependendo da atividade, da cadeia de fornecedores e do perfil dos clientes.
Por exemplo:
Empresa que vende para consumidor final
Pode ter uma realidade diferente de uma empresa que vende principalmente para outras empresas.
Empresa que presta serviços para pessoas jurídicas
Deve avaliar cuidadosamente os efeitos da geração e do aproveitamento de créditos pelos seus clientes.
Empresa do comércio ou indústria
Precisará avaliar fornecedores, créditos, classificação dos produtos, formação do preço e impacto da nova tributação.
Por isso, simplesmente comparar alíquotas não será suficiente.
A Reforma Tributária muda a forma de pensar o planejamento tributário
Durante muito tempo, o planejamento tributário esteve muito relacionado à pergunta:
“Qual regime paga menos imposto?”
Com a Reforma Tributária, a análise tende a ficar mais ampla.
Será necessário observar:
* Quem são os clientes;
* Quem são os fornecedores;
* Qual é a cadeia de produção ou prestação de serviços;
* Quais créditos podem ser aproveitados;
* Como os tributos impactam o preço;
* Qual é a margem da empresa;
* Como os contratos estão estruturados;
* Qual regime tributário é mais adequado;
* Como os sistemas estão preparados.
Ou seja, a contabilidade passa a ter um papel ainda mais estratégico na tomada de decisões.
# As empresas precisam preparar seus sistemas
A Reforma Tributária também traz mudanças importantes para os documentos fiscais eletrônicos.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já divulgaram cronogramas relacionados à implementação dos novos documentos e respectivos leiautes.
Por isso, empresas precisam verificar se seus sistemas de emissão de notas fiscais estão preparados para as novas exigências.
Não basta apenas o contador estar atualizado.
O empresário também precisa verificar se:
* O sistema de emissão de notas está atualizado;
* O cadastro de produtos e serviços está correto;
* A classificação fiscal está adequada;
* Os fornecedores estão preparados;
* Os contratos precisam ser revisados;
* Os preços precisam ser recalculados.
Atenção especial para as empresas do Simples Nacional
Para 2027, existe uma decisão importante para empresas optantes pelo Simples Nacional.
Entre 1º e 30 de setembro de 2026, as empresas podem realizar a opção pelo Simples Nacional para 2027 e, para aquelas que desejarem, escolher o recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular.
A escolha pelo recolhimento regular de IBS e CBS terá efeitos no primeiro semestre de 2027.
Essa decisão não deve ser tomada apenas pela alíquota.
É necessário analisar o funcionamento da empresa, seus clientes, fornecedores, créditos e impacto na operação.
O que sua empresa deve fazer agora?
Não é necessário esperar 2033 para começar a se preparar.
Algumas medidas já podem ser adotadas:
### 1. Converse com seu contador
Faça uma análise específica da sua empresa e entenda como a Reforma Tributária poderá afetar suas operações.
### 2. Revise a formação dos preços
Não considere apenas o valor atual dos impostos. Avalie como a nova sistemática poderá alterar seus custos e margens.
### 3. Avalie seus clientes
Empresas que vendem para outras empresas podem ter impactos diferentes das empresas que vendem diretamente para consumidores finais.
### 4. Revise seus fornecedores
A estrutura de créditos tributários poderá tornar a análise da cadeia de fornecedores ainda mais importante.
### 5. Atualize seus sistemas
Verifique se seu sistema fiscal e emissor de notas está preparado para as novas exigências.
### 6. Faça simulações
Antes de tomar decisões importantes, compare cenários.
Uma boa simulação pode mostrar possíveis impactos sobre tributação, margem, preço e competitividade.
# Conclusão
A Reforma Tributária não deve ser vista apenas como uma mudança de impostos.
Ela representa uma transformação na forma como as empresas deverão calcular tributos, emitir documentos fiscais, formar preços, administrar créditos e tomar decisões.
A transição será longa e acontecerá gradualmente até 2033. Por isso, quanto antes a empresa começar a analisar os impactos, maior será sua capacidade de se adaptar.
Informação e planejamento serão fundamentais.
Na nossa contabilidade, acompanhamos as mudanças da Reforma Tributária para orientar nossos clientes de forma clara, prática e estratégica.
Sua empresa não precisa esperar a mudança chegar para começar a se preparar.
Entre em contato com nossa equipe e faça uma análise do impacto da Reforma Tributária no seu negócio.